Nesta semana última de agosto: descutindo texto, investigando o texto, analisando o texto...
A análise de texto foi realizada individualmente. A dificuldade de dizer o que é texto e o que eu sou. O envolvimento é inevitável, é a "capicidade que gente tem de se envolver". Mas também é interesante tentar ver a perspectiva da autora e reconhecer que ela é base para o que eu crio em minha mente junto às minhas referências.
Conjuntamente lemos e discutimos frases e passagens. Contamos a história uns para os outros. Separamos a sala em 5 espaços, dissecando o texto em narração, descrição, fala e pensamento. Em som, em forma, em pontos de vista. Isso veio do trabalho prévio com aquecimento em Viewpoints (Anne Bogart e Tina Landau). Sim, improvisamos. Improvisar é escutar a si e aos outros. Difícil e potente.
Nos olhamos, olhamos, trocamos e repetimos o texto, respostas no corpo. E contamos a história mais uma vez improvisando-a por completo.
Conclusões desta etapa: a sequencia de fatos da peça fica confusa entre a entrada do Funcionário até os Gestos da Lagoa. Improvisar não é fazer qualquer coisa...
... Mas é onde qualquer coisa pode acontecer. E aconteceram.
Processos Invisíveis
Diário de Bordo da turma Prática de Montagem 2/2014 da UnB
Quebra cabeca
sábado, 30 de agosto de 2014
O exercício de mesa
O exercício de mesa.
A mesa era o espaço feito de papel. Éramos os lápis, as tintas, as palavras, as formas. Cada olhar que se envolveu com a história se envolvia com outros olhares e assim foi.
[Dei uma pausa na escrita, recapitulando sensações]
Às vezes sinto medo. O que é o meu medo? É medo de preencher o silêncio. Preencher o vazio com mais vazio. Respeito o silêncio e o vazio que cabe, mas hoje percebi que meu vazio pode caber e sem medo. Pois de um traço que surge no espaço o outro pode compor, como na escrita das cenas que fizemos. Às vezes sinto meu lápis muito interno. Escrever pra fora é preciso, o outro pode continuar a escrita.
[Atenção, só pra lembrar]
Traços são bem-vindos, permita-se.
[Mais sensações]
O exercício do olhar.
Imagine uma multidão, todos passam até mesmo os olhos criam pés e correm desviando pois é estranho se esbarrarem, olhar com olhar parece triscar, há um toque profundo não é mesmo?! No meio estive, os pés caminhavam mas os olhos não. Os olhos desejavam toque e quando tocava em um todos os outros sumiam como se o tempo dos pés desse uma pausa.
O hoje foi envolvente. Abacates caíram? Sim! O que fazer? Comê-los.
A mesa era o espaço feito de papel. Éramos os lápis, as tintas, as palavras, as formas. Cada olhar que se envolveu com a história se envolvia com outros olhares e assim foi.
[Dei uma pausa na escrita, recapitulando sensações]
Às vezes sinto medo. O que é o meu medo? É medo de preencher o silêncio. Preencher o vazio com mais vazio. Respeito o silêncio e o vazio que cabe, mas hoje percebi que meu vazio pode caber e sem medo. Pois de um traço que surge no espaço o outro pode compor, como na escrita das cenas que fizemos. Às vezes sinto meu lápis muito interno. Escrever pra fora é preciso, o outro pode continuar a escrita.
[Atenção, só pra lembrar]
Traços são bem-vindos, permita-se.
[Mais sensações]
O exercício do olhar.
Imagine uma multidão, todos passam até mesmo os olhos criam pés e correm desviando pois é estranho se esbarrarem, olhar com olhar parece triscar, há um toque profundo não é mesmo?! No meio estive, os pés caminhavam mas os olhos não. Os olhos desejavam toque e quando tocava em um todos os outros sumiam como se o tempo dos pés desse uma pausa.
O hoje foi envolvente. Abacates caíram? Sim! O que fazer? Comê-los.
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Vos Fala Quem Observa
"Cavalo novo com fogo nas patas."
"Espanca doce."
"Cuidado com o que planta."
Costumam dizer que o silêncio fala, grita sutilmente, expressa mais que mil palavras. O silêncio também observa e reflete, recorda e raciocina. Pausar e lembrar das frases e momentos, da trajetória de texto no livro e na alma, no coração. Porque eles, os que se envolvem neste processo (e na vida num geral), são emoção e fé ao mesmo tempo.
Na introdução do texto a autora, Grace Passô, diz que "Por Elise é um susto. Palavras de uma pessoa assustada com esse edifício que se chama teatro." E são. São reflexos do teatro, que reflete o mundo. Que reflete gente. Gente que corre, que chora, que perde e que tenta não se envolver, mas acaba não conseguindo. Essa gente que vai transbordar essas palavras pelos próximos meses. Que já está transbordando em ideias e palavras, poesia.
Ao ler o texto pela primeira vez, no meio de uma tarde de minhas férias de julho, fui arrebatada com a realidade e todo turbilhão de sentimentos que ela traz. Desde emoção e divertimento, até nostalgia e dor. Porque "espanca doce" mesmo. Mas quase como num masoquismo, nós nos envolvemos sem realmente tentar resistir. Porque um texto tem que falar algo, passar algo para alguém. E "Por Elise" fala, por nós, por mim, tudo que, muitas vezes, não é dito.
De todos os processos que já acompanhei, tem sido de todo muito interessante. Talvez pelo envolvimento dos atores/alunos, talvez pelo texto, talvez pela união de ambos. Mas "monitorar" estas histórias que surgem é uma experiência nova e revigorante. É como ver o pôr-do-sol de Brasília, lentamente saindo do azul-celeste e transformando para sua metamorfose de roxo, laranja e amarelo, até se afundar na imensidão escura de pequenos e inspiradores pontos de luz. É um abacate que cai na cabeça pra acordar a gente pro que está insurgindo ao redor. E observar mais do que falar, ver e refletir, matutar e maturar as ideias pra poder contribuir, pra realmente ajudar, monitorar, auxiliar.
Do que mais afeta de todo texto, e coloco aqui para terminar, por hora, e para que possam pensar ou simplesmente se deixar envolver também, é: "Posso te perguntar uma coisa? Pra você é simples assim? Você colocou na cabeça que deve correr, e aí você corre e pronto?"
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
Nosso ar particular (com doces abacates)
Eu não canso de ler, de me envolver... e gosto. E não sei se entendo, mas tento.
É que não é só por mim, é por vocês também, é por nós.
Esse Cão que mora aqui dentro, que grita quando estamos calados me sensibiliza.
Esse Cão que cospe fogo e fúria em nossa mentes, que está plantando sementes (de abacates) o medo me suaviza.
Esse Cão de nossas conversas, de nossas promessas, dos compartilhamentos, das descobertas me tranquiliza.
Esse espancamento de segundas-feiras, quartas-feiras, sextas-ferias... Ah, é doce. É um espancamento Doce. De todas as semanas, de todos os dias que nos aproxima e nos torna mais grupo, mais um, mais gente, mais dispostos às afetações.
E agora estamos laçados, enroscados, agora, por um fio, Por Elise, por nos abrir e nos permitir sentir.
Estamos sensíveis, por decidir ficar e ver no que vai dar. Por fazer do nosso ambiente de trabalho e estudo nosso lar. Nosso ar tão particular.
E sem demoras, me perco nas horas, mergulho nesse nosso mar, ops, ar... ops, lar. Não importa. Mergulho nessa nossa história, nessa nossa nova memória que acabamos de criar.
É que não é só por mim, é por vocês também, é por nós.
Esse Cão que mora aqui dentro, que grita quando estamos calados me sensibiliza.
Esse Cão que cospe fogo e fúria em nossa mentes, que está plantando sementes (de abacates) o medo me suaviza.
Esse Cão de nossas conversas, de nossas promessas, dos compartilhamentos, das descobertas me tranquiliza.
Esse espancamento de segundas-feiras, quartas-feiras, sextas-ferias... Ah, é doce. É um espancamento Doce. De todas as semanas, de todos os dias que nos aproxima e nos torna mais grupo, mais um, mais gente, mais dispostos às afetações.
E agora estamos laçados, enroscados, agora, por um fio, Por Elise, por nos abrir e nos permitir sentir.
Estamos sensíveis, por decidir ficar e ver no que vai dar. Por fazer do nosso ambiente de trabalho e estudo nosso lar. Nosso ar tão particular.
E sem demoras, me perco nas horas, mergulho nesse nosso mar, ops, ar... ops, lar. Não importa. Mergulho nessa nossa história, nessa nossa nova memória que acabamos de criar.
domingo, 24 de agosto de 2014
Por Elise, por mim, por nós
Tem coisa que espanca, mas espanca doce
Tem coisa que morde, mas morde macio
Tem coisa que cai, mas cai leve
Tem coisa que corre, mas corre acompanhado
Tem coisa que se escolhe, se vota, se conversa e se decide
Mas em grupo, em consenso, em processo
E é isso que vamos vivenciar aqui, uma escolha, um processo, uma vida em quatro paredes e todas aos quatro ventos
E faremos isso não só por Elise, ou Pour Elise, mas por nós e por todos aqueles que sobem ao palco para se envolverem (mesmo que eles pensem que não)
Tem coisa que morde, mas morde macio
Tem coisa que cai, mas cai leve
Tem coisa que corre, mas corre acompanhado
Tem coisa que se escolhe, se vota, se conversa e se decide
Mas em grupo, em consenso, em processo
E é isso que vamos vivenciar aqui, uma escolha, um processo, uma vida em quatro paredes e todas aos quatro ventos
E faremos isso não só por Elise, ou Pour Elise, mas por nós e por todos aqueles que sobem ao palco para se envolverem (mesmo que eles pensem que não)
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Eu vou cuidar de você e de mim
OS CEGOS DO CASTELO (Nando Reis - Titãs)
Eu não quero mais mentir
Usar espinhos que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu
Dos cegos do castelo me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho, o lugar
Pro que eu sou
Eu não quero mais dormir
De olhos abertos me esquenta o sol
Eu não espero que um revólver venha explodir
Na minha testa se anunciou
A pé a fé devagar
Foge o destino do azar
Que restou
E se você puder me olhar
E se você quiser me achar
E se você trouxer o seu lar
Eu vou cuidar, eu cuidarei dele
Eu vou cuidar
Do seu jardim
Eu vou cuidar, eu cuidarei muito bem dele
Eu vou cuidar
Eu cuidarei do seu jantar
Do céu e do mar, e de você e de mim
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
Me Bata com um Abacate
"É que tem coisa que espanca, mas espanca doce."
Foi assim que me senti ao assistir anos atrás "Por Elise", espetáculo do Grupo Espanca, texto e direção de Grace Passô. Foi em um Festival Cena Contemporânea, como este que começa agora. (O eterno retorno de Nietzsche)
E me acertou em cheio um abacate de solidão, vida, doçura, compreensão. Assim como a maçã despencou em Newton e lhe fez perceber a gravidade. Existe a gravidade das palavras. A gravidade da proteção. A gravidade de se esquecer humano. De se esquecer animal. De se esquecer parte da natureza. Isso espanca gravemente e poderia ser mais doce, quando permitimos que seja.
Tudo nos toca, tudo nos afeta, por isso "cuidado com o que planta no mundo".
E eu estou feliz com o espancamento da música de Beethoven na disciplina Prática de Montagem. Bem como diz a faixa que existe na quadra 315 norte de Brasília: "Cuidado!!! Queda de Abacates!!", eu também digo: "Cuidado conosco!!!" Cuidado com o que vamos descobrir de nós mesmos e o que vamos revelar de vocês outros, latindo as palavras que são plantadas em nós. "Eu sou um cavalo novo com fogo nas patas correndo em direção ao mar"
Escolhemos hoje "Por Elise" para ser nosso guia de montagem. E eu também escolhi e faço isso "por mim".
Foi assim que me senti ao assistir anos atrás "Por Elise", espetáculo do Grupo Espanca, texto e direção de Grace Passô. Foi em um Festival Cena Contemporânea, como este que começa agora. (O eterno retorno de Nietzsche)
E me acertou em cheio um abacate de solidão, vida, doçura, compreensão. Assim como a maçã despencou em Newton e lhe fez perceber a gravidade. Existe a gravidade das palavras. A gravidade da proteção. A gravidade de se esquecer humano. De se esquecer animal. De se esquecer parte da natureza. Isso espanca gravemente e poderia ser mais doce, quando permitimos que seja.
Tudo nos toca, tudo nos afeta, por isso "cuidado com o que planta no mundo".
E eu estou feliz com o espancamento da música de Beethoven na disciplina Prática de Montagem. Bem como diz a faixa que existe na quadra 315 norte de Brasília: "Cuidado!!! Queda de Abacates!!", eu também digo: "Cuidado conosco!!!" Cuidado com o que vamos descobrir de nós mesmos e o que vamos revelar de vocês outros, latindo as palavras que são plantadas em nós. "Eu sou um cavalo novo com fogo nas patas correndo em direção ao mar"
Escolhemos hoje "Por Elise" para ser nosso guia de montagem. E eu também escolhi e faço isso "por mim".
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