"Cavalo novo com fogo nas patas."
"Espanca doce."
"Cuidado com o que planta."
Costumam dizer que o silêncio fala, grita sutilmente, expressa mais que mil palavras. O silêncio também observa e reflete, recorda e raciocina. Pausar e lembrar das frases e momentos, da trajetória de texto no livro e na alma, no coração. Porque eles, os que se envolvem neste processo (e na vida num geral), são emoção e fé ao mesmo tempo.
Na introdução do texto a autora, Grace Passô, diz que "Por Elise é um susto. Palavras de uma pessoa assustada com esse edifício que se chama teatro." E são. São reflexos do teatro, que reflete o mundo. Que reflete gente. Gente que corre, que chora, que perde e que tenta não se envolver, mas acaba não conseguindo. Essa gente que vai transbordar essas palavras pelos próximos meses. Que já está transbordando em ideias e palavras, poesia.
Ao ler o texto pela primeira vez, no meio de uma tarde de minhas férias de julho, fui arrebatada com a realidade e todo turbilhão de sentimentos que ela traz. Desde emoção e divertimento, até nostalgia e dor. Porque "espanca doce" mesmo. Mas quase como num masoquismo, nós nos envolvemos sem realmente tentar resistir. Porque um texto tem que falar algo, passar algo para alguém. E "Por Elise" fala, por nós, por mim, tudo que, muitas vezes, não é dito.
De todos os processos que já acompanhei, tem sido de todo muito interessante. Talvez pelo envolvimento dos atores/alunos, talvez pelo texto, talvez pela união de ambos. Mas "monitorar" estas histórias que surgem é uma experiência nova e revigorante. É como ver o pôr-do-sol de Brasília, lentamente saindo do azul-celeste e transformando para sua metamorfose de roxo, laranja e amarelo, até se afundar na imensidão escura de pequenos e inspiradores pontos de luz. É um abacate que cai na cabeça pra acordar a gente pro que está insurgindo ao redor. E observar mais do que falar, ver e refletir, matutar e maturar as ideias pra poder contribuir, pra realmente ajudar, monitorar, auxiliar.
Do que mais afeta de todo texto, e coloco aqui para terminar, por hora, e para que possam pensar ou simplesmente se deixar envolver também, é: "Posso te perguntar uma coisa? Pra você é simples assim? Você colocou na cabeça que deve correr, e aí você corre e pronto?"
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