O exercício de mesa.
A mesa era o espaço feito de papel. Éramos os lápis, as tintas, as palavras, as formas. Cada olhar que se envolveu com a história se envolvia com outros olhares e assim foi.
[Dei uma pausa na escrita, recapitulando sensações]
Às vezes sinto medo. O que é o meu medo?
É medo de preencher o silêncio. Preencher o vazio com mais vazio.
Respeito o silêncio e o vazio que cabe, mas hoje percebi que meu vazio pode caber e sem medo. Pois de um traço que surge no espaço o outro pode compor, como na escrita das cenas que fizemos.
Às vezes sinto meu lápis muito interno. Escrever pra fora é preciso, o outro pode continuar a escrita.
[Atenção, só pra lembrar]
Traços são bem-vindos, permita-se.
[Mais sensações]
O exercício do olhar.
Imagine uma multidão, todos passam até mesmo os olhos criam pés e correm desviando pois é estranho se esbarrarem, olhar com olhar parece triscar, há um toque profundo não é mesmo?!
No meio estive, os pés caminhavam mas os olhos não. Os olhos desejavam toque e quando tocava em um todos os outros sumiam como se o tempo dos pés desse uma pausa.
O hoje foi envolvente. Abacates caíram? Sim! O que fazer? Comê-los.
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